Sodré

Rua do Sodré

Sebo Mimosa

Exposição do Mimosa no LargoCaminhando pelo Largo Dois de Julho, pode-se encontrar diversos vinis e livros expostos. O responsável pela exposição, Ricardo Santos, conta que seu trabalho ali é divulgar o sebo Mimosa, que fica na Rua do Sodré (foto acima). A coleção do Largo é bastante chamativa e diversificada, sobretudo pelos vinis: Jorge Ben, Gera Samba, Lamartine Babo, Elba Ramalho, Chico e Caetano, Xuxa, Batatinha e Vinícius de Moraes são alguns dos artistas colocados à mostra nas escadas do Largo. Para chegar ao sebo é simples: basta seguir pela Rua do Cabeça, onde fica a feira, e virar à primeira a esquerda, entrando na Rua do Sodré.

Na esquina da rua do Sodré, a placa: Fachada de uma das casas do sebo. As aparências enganam...“Nesta rua viveu e morreu o poeta Castro Alves”. Prenúncio de história. Na antiga rua, que guarda muito do passado de Salvador, as casas alternam entre revitalização e decadência. O sebo, dividido em duas instalações, conta com muito mais vinis que livros. Na primeira casa, há uma pequena quantidade de livros, e alguns vinis, enquanto na outra casa (foto ao lado), os vinis ocupam praticamente todo o espaço. José Santos, dono do sebo Mimosa, conta que chegou à rua nos anos 80 e, a princípio, montou o bar Mimosa, que ainda existe, vizinho a uma das instalações e em frente à outra. Como possuía uma grande compilação de vinis e livros, teve a idéia de criar o sebo. A atual coleção de livros não é muito boa, mas, em sua especialidade, os vinis, o sebo é muito bom. Além da grande quantidade e bom estado de conservação de grande parte dos vinis, os preços são baixos: a partir de R$ 1,00, o que torna o Mimosa bastante atrativo para colecionadores.

Área interna do sebo Amostra do acervo

Senta que lá vem história – Santos comentou também sobre artistas que já viveram parte de suas vidas no bairro, como Gilberto Gil, Glauber Rocha, Castro Alves, Jorge Amado e Batatinha. Solar do SodréNa casa onde o poeta dos escravos morreu funciona hoje o Colégio Ipiranga (foto ao lado), na mesma Rua do Sodré, batizada assim por causa de Jerônimo Sodré Pereira, homem que construiu o Solar do Sodré em 1661, comprado pela abastada família de Castro Alves muitos anos depois.

A rua funcionava como ligação entre o comércio e a cidade alta. Nos subterrâneos existem galerias, feitas ainda nos tempos coloniais, muito utilizadas como esconderijos ou em fugas. Muitas delas foram construídas pela Igreja, servindo de ligação entre instituições religiosas. José Santos diz que por causa da existência das galerias, o solo fica oco em várias regiões e acaba afundando, criando buracos. Ele também lamenta o abandono do bairro, que, segundo ele, há mais de trinta anos não recebe obras de infra-estrutura. Critica também a reforma do Largo Dois de Julho. “O projeto aprovado foi o de um arquiteto canadense, que não levou em conta a história do bairro e acabou o descaracterizando”, explica o dono do sebo Mimosa.

Durante a entrevista, um senhor chegou trazendo discos para o sebo. Permaneceu por um tempo sentado, ouvindo a conversa, até que se interessou pelo assunto da decadência do centro histórico e embalou uma série de histórias sobre a Bahia e sua vida. Definindo-se como poeta, pensador, ateu, anarquista e filósofo, Virgílio Soares Rodrigues contou que freqüenta regularmente o bairro, onde se reúne com amigos. Contou muito de si, além de recitar alguns poemas, que você pode conferir no vídeo abaixo. As poesias chamam-se A Tua Ausência e Colibri.

Cultura Afro

No Largo Dois de Julho, está localizada a sede do CEAO, Centro de Estudos Afro Orientais, onde há palestras e cursos – como de iorubá e árabe – direcionados à comunidade afro-descendente. A Biblioteca CEAO, primeira especializada em estudos afro-brasileiros, africanos e asiáticos do Brasil, tem um vasto acervo de livros, teses e dissertações, discos, filmes, mapas, além de uma hemeroteca, abertos para empréstimo de alunos da UFBa ou de cursos ministrados no CEAO.

Descendo a Rua do Sodré, além do sebo Mimosa, está a sede da Associação de Capoeira Angola Navio Negreiro, ACANNE, presente ali desde 2001. A ACANNE existe desde 1985, primeiramente sediada em Fazenda Grande do Retiro, e objetiva a preservação da capoeira angola entre as comunidades, oferecendo uma educação pela filosofia da capoeira, “libertando mente e corpo”, como declara Mestre Renê no site da ACANNE. Basicamente voltada para o trabalho social – ensinando os alunos, além da arte da capoeira, a fazer berimbaus – a ACANNE é aberta para qualquer pessoa aprender capoeira e atrai turistas estrangeiros. Em entrevista, Mestre Renê, fundador da associação, esclareceu: “Ninguém vem aqui do nada aprender capoeira. Geralmente são pessoas que já tiveram algum contato com a capoeira ou fizeram alguma oficina relacionada ao corpo. Inclusive tem muitos japoneses, europeus e americanos que vêm aqui ter aulas de capoeira angola”. Mestre Renê acrescenta que já foi mais de uma vez ao Japão e à Europa, divulgando a arte. Veja vídeo da capoeira na ACANNE:


Veja mais vídeos

As aulas são dadas as segundas, quartas e sextas, das 7 às 8:30 h. Na sexta, a roda é aberta a quem quiser jogar capoeira, gratuitamente. Uma boa opção para depois de conhecer a capoeira angola, sexta-feira, é ir à roda do Mestre Lua, no Terreiro de Jesus, como indicou o próprio Mestre Renê.
Saiba mais no site da ACANNE.

Museu de Arte Sacra

Ainda seguindo a Rua do Sodré (veja mapa), pode-se visitar o Museu de Arte Sacra (MAS: ver site oficial), instalado no antigo Convento de Santa Tereza de Ávila, construído no século XVII. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o convento foi transformado em museu em 1958, passando à administração da Universidade Federal da Bahia.

Só o convento já vale à pena ser visitado, dada a representatividade arquitetônica (construção de 1667) e a importância histórica que possui, por ter colaborado no desenvolvimento e colonização da cidade, além de ter abrigado tropas portuguesas durante as lutas pela independência da Bahia.

A antiga capelaO vasto acervo do MAS, compreende vasta coleção de imagens, prataria, mobiliário e pintura – peças que perpassam os estilos barroco, rococó e neoclássico têm valor inestimável e estão em ótimo estado de conservação – datadas, em média, do século XVII,. A capela (foto ao lado) guarda altares belíssimos, um deles de prata, proveniente da antiga Sé de Salvador, demolida para a passagem de um bonde, em 1933. Além disso, há a biblioteca do MAS, com um amplo acervo de história da Bahia e livros raros, também aberta para consulta. Algo que deixa a visita mais agradável é a visualização, através de grande parte das janelas, da Bahia de Todos Os Santos.

O custo para conhecer o museu é de R$ 5,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia). Segundo Jean Oliveira, estagiário do setor educativo, o preço relativamente alto, que afastaria os habitantes da vizinhança da Ladeira da Preguiça – uma das áreas mais abandonadas e perigosas de Salvador – deve-se ao fato de o museu ser mantido pela universidade, com limitações orçamentárias. Alia-se a isso a tradição baiana de não valorizar museus, o que dificultaria a diminuição dos preços.

Horário de funcionamento: 3ª a 6ª feira de 14:00h às 19:00h e sábado e domingo de 14:30h às 18:30h. Exceto feriados.

Responses

  1. O abandono do largo 2 de julho, pela prefeitura e pelo estado, é uma vergonha.Um estado, que tem como fonte de renda, o turismo; não pode abandonar Pontos e lugares historicos como pelorinho, taboão, maciel, dois de julho, etc… deixo aqui a minha idignação.

  2. Olá. Cheguei em novembro de 2010 para residir em Salvador. Me indicaram o Largo 2 de Julho, onde resido atualmente. Realmente, não precisa nem ter conhecido antes o local, para ver seu abandono. Tenho caminhado pelas rua do bairro e sem conhecer a sua história, percebi sua grande riqueza cultural.

    Estou interessado em participar dos movimentos a favor da preservação desse bairro.

    Vou procurar a Associação de Moradores e outras ONGS, se é que existem.

    Wagner Gama
    E-mail: wgama2003@ibest.com.br

  3. Pessoal, sugiro que vcs postem esse video que mosta os personagens do filme Meteorango Kid descendo a ladeira do Sodré no min 1:33 ao som dos Novos Baianos. Esse filme é de 1969 e foi dirigido por André Luiz Oliveira


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