Bares/Restaurantes

O Dois de Julho, bairro que continua tão boêmio como no passado, dispõe de várias opções para o turista quando o assunto é bares e restaurantes. O visitante pode almoçar uma boa comida caseira ali mesmo pela Carlos Gomes, ou, no próprio largo que dá nome ao bairro, beber uma cervejinha num boteco de estilo carioca, imerso em calmaria e alheio ao movimento da mesma Carlos Gomes, um quarteirão acima. À noite, charque com purê de abóbora, acompanhado por mais cerveja barata e tranqüilidade. A simplicidade dos bares conquista e a reação seguinte é sentir-se em casa. E assim como a Dorothy do Mágico de Oz deve percorrer o caminho de tijolinhos amarelos para voltar para casa, o bom boêmio precisa seguir a trilha de paralelepípedos cinzas e vermelhos da Rua da Faísca ou do Largo do Mocambinho, que conduzem a suas “casas”: os bons bares do Dois de Julho.

Porto do Moreira

No Dois de Julho não poderia faltar um boteco conhecido por toda cidade. O restaurante Porto do Moreira, que completará 70 anos de existência ainda em 2008, é um dos pontos mais badalados do Dois de Julho. Localizado no Largo do Mocambinho (mais conhecido por Largo das Flores, por causa da enorme quantidade de floristas instalados), foi fundado em 7 de setembro de 1938, pelo imigrante português José Moreira, ainda na Rua do Cabeça, bem próximo dali. Desde 1975, quando seu fundador morreu, passou a ser administrado por seus dois filhos: Antônio e Francisco Moreira. Os donos do bar, como de costume em qualquer boteco que se preze, têm uma relação bastante íntima com a clientela. Como também é de costume em bons botequins, os clientes são fiéis. Seja por causa da boa comida, do ambiente aconchegante ou por causa da aura que as paredes do boteco extravasam, o Moreira merece visita.


Francisco (ao fundo) e Antônio, donos do restaurante

As paredes do Moreira – Quem vai ao Porto do Moreira não pode deixar de prestar atenção nas paredes do bar, repletas de fotografias e recortes de jornais. As fotografias são de alguns de seus famosos clientes – alguns já falecidos. “Quando meu pai fundou o bar, aqui era área de muita redação de jornal e também tinha várias faculdades: a Faculdade de Medicina, a Faculdade de Ciências Econômicas, a Faculdade de Engenharia, a Faculdade de Direito… daí muita gente boa vinha no bar, que na época era na Rua do Cabeça, aqui pertinho, e a fama começou”, disse Antônio Moreira. José Moreira, o fundador do bar, foi personagem de dois livros de Jorge Amado (Dona Flor e Seus Dois Maridos e Os Velhos Marinheiros), de quem era amigo pessoal. “Uma vez Jorge esteve aqui, pedindo a meu pai que fizesse dois bacalhaus para ele, e trouxe consigo uma porcelana portuguesa antiga, pra colocar o bacalhau. Meu pai, que gostava de antiguidades, disse a ele que só faria o bacalhau em troca da porcelana (risos)”.

A boemia baiana sempre foi assídua do Porto do Moreira. Os grandes sambistas baianos reuniam-se sempre por lá: Batatinha, Ederaldo Gentil, Walmir Lima, Riachão, Edil Pacheco e Nelson Rufino; todos passaram pelo Porto do Moreira. “Foi feito um documentário sobre a vida de Batatinha e 90% dele foi gravado aqui, numa reunião entre Nelson Rufino, Riachão, Edil Pacheco, depois da morte de Batatinha”, disse um saudoso Antônio Moreira, que depois começou a cantar um trecho de “Toalha da Saudade”, de autoria de Batatinha. Nos Aflitos, um dos nove filhos do sambista abriu um bar com o mesmo nome, mas pouco freqüentado. No local também funciona a Associação Casa de Batatinha, também coordenada por ele.


Na foto, Edil Pacheco, Riachão, Walmir Lima, Batatinha e Ederaldo Gentil: todos passavam pelo Porto do Moreira.

Ouça Batatinha cantando “Toalha da Saudade”

Escute também a versão de Chico Buarque da mesma música.

Uma das características marcantes e mais interessantes do Porto do Moreira é a capacidade de agradar a várias camadas da população. Entre as celebridades, por exemplo, o bar já recebeu de July (colunista social do A Tarde) a Glauber Rocha, além do ex-governador Paulo Souto, o jornalista Guido Guerra – já falecido -, o também falecido cenógrafo e gravurista Calasans Neto, o repórter Ernesto Paglia e até mesmo o manguebeat da Nação Zumbi. Todos eles misturados a moradores do Dois de Julho, trabalhadores de todo o Centro, turistas de Salvador e de fora; todos almoçando sob molduras de fotos e recortes.

Outras resenhas: Guia Veja Salvador, Boteclando.

O Líder

No Largo Dois de Julho, funciona há cerca de 40 anos o bar e restaurante O Líder, boteco agradável e de preço acessível, que serve de ponto de encontro dos moradores e trabalhadores das redondezas. A cerveja passa um pouco do barato, mas ainda é acessível, embora os pratos (a especialidade da casa é o churrasco) sejam de preços baixos. O ambiente externo é mais agradável, porque é muito mais arejado e não é apertado, como lá dentro. Especialmente nas noites de sexta, é um espaço bastante recomendado para uma passagem alternativa ao grande turismo do Pelourinho, por ser um espaço mais íntimo para uma reunião de familiares ou amigos. Outra resenha: Veja Salvador online

O Mocambinho

Na noite do Dois de Julho, uma das melhores opções é o Mocambinho Bar, na Rua da Faísca. O bar, que completará um ano de existência dia 20 de julho, foi fundado pela dupla Ilza Barbosa e Auristela Sá (atriz do Bando de Teatro Olodum). Provavelmente por causa de uma das fundadoras ser atriz, a maior parte do público é de pessoas envolvidas com as artes. A simplicidade é o tom do lugar, ressaltada pelo nome: mocambo era o local apertado onde os escravos se escondiam. “Aqui mesmo no Dois de Julho existem casarões que ainda conservam mocambos nos subterrâneos”, diz Ilza Barbosa, uma das donas do bar. A maior parte das mesas fica espalhada pela calçada, mas há também alguns lugares na área interna. O preço da cerveja é bastante acessível (a mais cara custa R$ 3,00) e os pratos também são baratos. O carro-chefe da casa, o charque com purê de abóbora, tem porções que variam de R$ 10,00 a R$ 20,00.

Letreiro do bar

Respostas

  1. Vou deixar um grande abraço ao meu amigo Moreira de mais de 30 anos.Apesar de viver há 20 anos no rio guardo esta amizade
    America Macedo Cardoso

  2. Alo Moreira
    Tudo de bom
    America

  3. Sempre estou nesse bar a cerveja e gelada e o atendimento mto bom,ah a carne do sol é ótima

  4. Todas minhas noites são no mocambinho cerveja gelada cardapio com varios petisco com preços bons gosto muito do arrumadinho de bacalhau, e tem também o arrumadinho vegetariano que é muito bom o atend de primeira, esse é meu lugar adoro!

  5. Sempre tive vontade de conhecer o Porto do Moreira, no ano em que o mesmo esteve no festival “Comida di Buteco” eu fui experimentar a guloseima q estava em destaque, doce ilusão, o lugar estava cheio e um dos donos, exatamente esse senhor em foco, estava num mal humor, destratando as pessoas (principalmente as pessoas q estavam indo conhecer o local), sai de lá, após tomar uma cerveja e a promessa de que meu pedido sairia depois de um hora no mínimo, desisti e fui para outro local, onde fui parar? na Saúde, no Aramazém, tratamento exemplar e comida de primeira.

  6. Parabéns Ilza, tinha e tenho certeza que vc nasceu para brilhar. Te amo muito.

  7. A FLOR DO LARGO AINDA EXISTE?


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